terça-feira, 11 de abril de 2023

Irmãs Servas da Sagrada Família e o aumento das vocações adultas

 


Entende-se por vocação adulta a pessoa que já tem personalidade formada, tem independência financeira, liberdade interior e que conseguiu determinado grau de sabedoria a partir de experiências de vida. Mulheres neste patamar não tinham mais a possibilidade de iniciar um processo de acompanhamento vocacional para ingresso na vida religiosa. 

Acompanhando as mudanças da sociedade, sobretudo na Igreja e no mundo e buscando ficar atentas ao fenômeno que tem acontecido em diversas Arquidioceses e instituições religiosas do país, o surgimento de vocações maduras é uma realidade para as Irmãs Servas da Sagrada Família, família religiosa que tem sede na cidade de Salvador, capital baiana. 

Valorizando e acolhendo, as Servas da Sagrada Família têm buscado realizar um trabalho diferenciado com essas vocações. A religiosa Bernadete Motta, animadora vocacional da Congregação, avalia que a experiência das pessoas que buscam a vida religiosa em idade madura representa uma riqueza frequentemente não aproveitada devido aos limites de idade estabelecidos para a admissão de candidatas na maioria das congregações. 

A irmã Maria Luciene, superiora geral das Servas da Sagrada Família até janeiro de 2023, defende o acolhimento das vocações maduras por acreditar que a realidade da família mudou e a cabeça do jovem não é mais a mesma, uma vez que, estudam, ingressam no mercado de trabalho, se casam com mais idade, logo, as decisões mais importantes são tomadas tardiamente. Sobre a opção vocacional, ela enfatiza que não é diferente, pois tem sido mais comum perceber um maior número de pessoas com mais de 30 anos com interesse de iniciar um acompanhamento vocacional, pois sentem-se chamadas a vida religiosa. 

Na família religiosa das servas, o processo de acompanhamento vocacional dos mais amadurecidas não difere dos mais jovens, pois o encontro, visitas as famílias e demais atividades não podem se ausentar de nenhuma etapa formativa. 

Adriana Mendes, enfermeira, 42 anos, ressalta que muitas pessoas capazes se sentem frustradas por ter a sensação de chamadas a vida religiosa e que não há maneira de responder positivamente”, uma vez que para muitas congregações religiosas, a idade não mais permite. “Fiquei impossibilitada e cuidando de minha mãe até o fim da vida dela, e agora com 42 anos eu recebo como respostas das irmãs que a minha idade não mais permite entrar na vida religiosa”, lamenta. 

Ainda sobre o fenômeno das vocações amadurecidas, existem casos que podem ser denominados de retomada a uma vocação abandonada. Comumente esse abandono pode ocorrer por diversos fatores, um deles é a rota por caminhos distintos, especificamente o matrimônio, o cuidado de crianças ou de seus pais anciãos. 


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